Menopausa / Climatério

Dra. Nathalia Martinez
CRM 139392 SP
Ginecologista e Obstetra

Seu guia para iniciar essa nova fase da vida

Se você está chegando aos 40 e poucos anos e começou a notar mudanças no seu corpo – talvez ondas de calor repentinas, noites mal dormidas , alterações no seu ciclo menstrual e alteraçoes no humor  – saiba que você está iniciando uma das transições mais importantes da vida de toda mulher: o climatério.

Esta fase, que antecede a menopausa, pode parecer desafiadora à primeira vista, mas com as informações corretas e o acompanhamento médico adequado, você pode vivê-la com muito mais tranquilidade e qualidade de vida.

Entendendo as diferenças: climatério e menopausa

Muitas mulheres confundem esses termos, mas eles se referem a momentos diferentes dessa transição natural. A menopausa é um marco específico: o momento em que suas menstruações cessam definitivamente, diagnosticado apenas após 12 meses consecutivos sem menstruar. Isso acontece no periodo dos 48 a 55 anos 

Já o climatério é todo o período de transição   entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher.É durante o climatério que você experimenta a gradativa diminuição dos seus hormônios femininos – estrogênio e progesterona – e começa a sentir os primeiros sintomas dessa mudança.

Os sintomas que você pode experimentar

Cada mulher vive essa transição de forma única. Enquanto algumas praticamente não sentem desconforto, outras podem ter sintomas que impactam significativamente sua qualidade de vida. Os mais comuns incluem:

Fogachos e ondas de calor são provavelmente os sintomas mais conhecidos e comuns, aparecendo em 70 % das mulheres  – aquela sensação súbita de calor intenso acompanhada de sudorese, especialmente incômoda durante a noite. Muitas mulheres descrevem como se “pegassem fogo” de repente.

Distúrbios do sono: Despertar noturno ocorrem em grande frequencia , normalmente as 3 da manha e levando a quadros de insonia o que dificulta as atividades no dia seguinte 

Mudanças de humor também são comuns – você pode se sentir mais sensível emocionalmente ou com episódios de irritabilidade que não consegue explicar completamente.

A diminuição da libido e o ressecamento vaginal afetam muitas mulheres, podendo tornar as relações íntimas desconfortáveis. Isso acontece devido à ressecamento vaginal da menopausa 

A longo prazo, a diminuição dos hormônios também pode levar à perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose – uma preocupação importante para sua saúde futura.

Terapia hormonal: uma opção segura e eficaz

Se seus sintomas estão afetando sua qualidade de vida, você deve saber que existe uma solução comprovadamente eficaz: a terapia hormonal (TH), também conhecida como reposição hormonal. Este tratamento consiste na administração de estrogênio – combinado com progestagênio se você ainda tem útero – em doses adequadas para aliviar seus sintomas.

As evidências científicas são claras: para a maioria das mulheres sintomáticas e sem contraindicações, os benefícios da terapia hormonal superam em muito os riscos quando iniciada no momento adequado. Em 2024, o consenso brasileiro de climatério, elaborado pela FEBRASGO e SOBRAC, reforçou que a TH é recomendada para quase todas as mulheres com sintomas da menopausa.

A “janela de oportunidade”

Existe um momento ideal para começar a terapia hormonal: a chamada “janela de oportunidade”, que compreende os primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos seus 60 anos. Iniciar o tratamento nesse período otimiza os benefícios cardiovasculares e cognitivos, minimizando riscos como eventos tromboembólicos.

Por outro lado, começar a TH depois dos 60 anos ou com mais de 10 anos de pós-menopausa geralmente não é recomendado, pois nessa situação os riscos podem superar os benefícios.

Os benefícios comprovados da terapia hormonal

Quando você inicia a terapia hormonal no momento adequado, pode esperar benefícios significativos:

Alívio quase completo dos fogachos e suores noturnos – muitas mulheres experimentam melhora já nas primeiras semanas de tratamento. Isso naturalmente leva a uma melhoria da qualidade do sono e do humor, já que você voltará a ter noites reparadoras.

A reversão dos sintomas urogenitais é outro benefício importante: melhora da lubrificação vaginal, redução do desconforto nas relações íntimas e alívio de sintomas urinários como urgência ou infecções recorrentes.

A prevenção da perda óssea pós-menopausa é um benefício a longo prazo fundamental, reduzindo significativamente seu risco de desenvolver osteoporose e sofrer fraturas no futuro.

Estudos recentes também mostram que mulheres que iniciam a terapia hormonal cedo no climatério podem ter proteção cardiovascular, com redução do risco de doença coronariana, e possivelmente diminuição da mortalidade global.

O consenso brasileiro mais recente cita evidências de redução no risco de diabetes tipo 2, melhora da função sexual, e até possível efeito benéfico sobre o risco de Alzheimer com uso prolongado da terapia hormonal.

Entendendo os riscos de forma equilibrada

É natural que você tenha preocupações sobre os riscos da terapia hormonal – afinal, durante anos circularam informações que causaram muito medo desnecessário. Vamos esclarecer os fatos:

Os principais riscos incluem um pequeno aumento na chance de trombose venosa e AVC, especialmente com preparações orais e em mulheres com fatores de risco como obesidade , sedentarismo e tabagismo.

Existe também um discreto aumento relativo no risco de câncer de mama com uso prolongado de combinações estrogênio-progesterona, principalmente após 5 anos de uso contínuo.

Mas aqui está o ponto crucial: o risco absoluto de câncer de mama atribuído à terapia hormonal é muito baixo – menos de 1 caso adicional para cada mil mulheres por ano. Para colocar isso em perspectiva, o risco de câncer de mama associado à obesidade ou ao consumo regular de álcool é maior.

Além disso, os esquemas modernos de tratamento – como estrogênio via transdérmica (adesivos ou gel) e progesteronas “naturais” – reduzem ainda mais esses riscos. As diretrizes atuais preferem essas vias não orais justamente para evitar os efeitos indesejáveis do processamento hepático.

Quando a terapia hormonal não é indicada

Existem algumas situações em que a terapia hormonal não é recomendada: câncer de mama ou endométrio ativo ou recente, sangramento vaginal não esclarecido, doença hepática grave ativa, ou história de trombose importante não controlada, entre outras condições específicas.

Se você tem alguma contraindicação absoluta ou simplesmente prefere não usar hormônios, existem alternativas não-hormonais disponíveis. Para os fogachos, medicamentos como venlafaxina, gabapentina ou bloqueadores neuroendócrinos mais recentes podem ajudar.

Para a prevenção da osteoporose, temos opções como bifosfonatos e moduladores seletivos do receptor de estrogênio, embora geralmente com menor eficácia nos sintomas vasomotores.

Uma nova perspectiva sobre a menopausa

A mensagem mais importante que você deve levar é esta: a menopausa não precisa ser sofrida. Existe tratamento seguro e eficaz disponível, e você tem o direito de viver essa fase com qualidade de vida.

Campanhas recentes da FEBRASGO, como “Terapia hormonal sim, com ética e segurança sempre”, visam justamente desfazer medos desatualizados e encorajar mulheres sintomáticas a se beneficiarem do tratamento, em vez de evitá-lo por receios infundados.

O papel fundamental da médica especializada

O manejo do climatério deve sempre ser individualizado. Cada mulher tem suas particularidades, histórico de saúde, sintomas específicos e preferências pessoais. Por isso, é fundamental que você discuta abertamente seus sintomas e preocupações com uma médica especializada.

Juntas, vocês podem avaliar se a terapia hormonal é indicada para seu caso específico, escolher a dose e via mais adequadas, e definir por quanto tempo o tratamento deve ser mantido. Com acompanhamento médico regular, a terapia hormonal no climatério pode melhorar significativamente sua qualidade de vida e prevenir diversas condições, contribuindo para um envelhecimento saudável e ativo.

Vivendo plenamente essa nova fase

O climatério e a menopausa representam uma transição natural na vida de toda mulher – não uma doença ou falência do seu corpo. Com o conhecimento adequado, apoio médico especializado e tratamento quando necessário, você pode atravessar essa fase mantendo sua vitalidade, bem-estar e qualidade de vida.

Lembre-se: você não precisa aceitar que “faz parte da idade” sofrer com sintomas intensos. Busque orientação médica especializada, esclareça todas suas dúvidas e tome uma decisão informada sobre seu cuidado. Sua saúde e bem-estar merecem toda a atenção durante essa importante transição da sua vida.

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